A importância da formação acadêmica

Ou como eu desisti da formação acadêmica para tentar algo mais consistente num mundo de conhecimento tão volátil.

Sou programadora formada em casa, como muitos dos que trabalham com web. Comecei com Visual Basic (iuh!) e passei a fazer sites assim que comecei a acessar a internet, em meados de 1997.

Meu conhecimento veio da experimentação, aliado ao conhecimento compartilhado em fóruns, nada aprendido na escola. Na verdade eu abandonei a escola quando comecei a trabalhar e só voltei um ano depois, quando consegui vaga no período noturno.

Quando consegui finalmente ingressar na faculdade eu já tinha 6 anos de experiência profissional em programação e arrumei até uma pequena briga com uma das professoras por isso, pois ela achava que eu não ía prestar atenção nas aulas e que eu só estava lá pelo diploma. Ela acertou! Acertou que eu estava lá pelo diploma, mas errou quando achou que eu não frequentaria as aulas e prestaria atenção, assim como executar as atividades pedidas.

Aprendi muita coisa de base na faculdade, coisas que um programador auto-didata pode ter deixado passar na pressa de aprender a parte mais legal.

Depois de um tempo na faculdade comecei a sentir falta da integração entre a vida real e a vida acadêmica:

Na faculdade você aprende a fazer DER, MER e toda a documentação de análise e projetos de sistemas.
Na empresa o briefing às vezes é só um e-mail e um wireframe pra definir escopo.
Na faculdade não ensinam wireframe, ensinam a fazer um mock-up das telas a serem feitas e colocar como anexo do documento.
Na empresa esse “mock-up” é parte integrante do processo de aprovação do projeto.

A não ser que eu esteja errada, a grade curricular de um curso de formação tecnológica é firmada pelo menos com 3 anos de antecipação. O mercado muda a cada semana. A tecnologia muda.

Como um curso de graduação tecnológica pode então, acompanhar as novas tendências?

“Ah! A minha faculdade promove simpósios e palestras extra-curriculares.” Ok! Enquanto isso você passa a maior parte dos seus estudos se dedicando a aprender metodologias obsoletas, abandonadas pelo mercado?

Tenho que escolher mais duas disciplinas pra cursar, além das matérias obrigatórias. Visitei o site da minha faculdade para ver as matérias que tenho para escolher e escolhi não voltar mais.

Não são metodologias que eu pretendo utilizar no meu dia-a-dia, não são conhecimentos que eu tenho realmente interesse em obter.

Assim como Steve Jobs diz em seu discurso aos formandos de Stanford em 2005:

E 17 anos depois eu fui pra faculdade. Mas eu ingenuamente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford, e toda a poupança dos meus pais de classe média estava sendo gasto na minha faculdade. Depois de seis meses, eu não conseguia ver o valor nisso. Eu não tinha idéia do que queria fazer da minha vida e nenhuma idéia de como a faculdade iria me ajudar a descobrir. E aqui estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais economizaram suas vidas inteiras. Então decidi largar e confiar que tudo daria certo. Foi bem assustador na época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. A partir do momento em que larguei eu pude parar de assistir às aulas obrigatórias que não me interessavam, e começar a assistir às que me interessavam.

É mais ou menos isso que eu espero. Espero usar o tempo que eu dedicava à faculdade de forma mais produtiva, seja lendo artigos sobre assuntos que mais me interessam, seja me matriculando em cursos de habilidades práticas que desejo ter e aprimorar.

Como disse uma pessoa que considero como exemplo de sucesso: a faculdade é perda de tempo.

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