Você já leu Escuridão total sem Estrelas?

Hey, você aí. Olá novamente, hoje vim trazer para vocês um livro que acabei de ler, que se chama: Escuridão total sem estrelas, do escritor norte americano Stephen King, que foi publicado em 2010.

Primeiramente, tenho que confessar os motivos que me fizeram a ler esse livro: ele foi escrito por Stephen King, é composto com quatro histórias de terror incríveis que prende sua atenção do início ao fim e o livro em si é muito bonito (deixo aqui meus parabéns para Suma de Letras, por um trabalho tão maravilhoso no design).

Quando fui na livraria para comprar um presente, eu o vi na prateleira e acabei não resistindo assim que o vi. Poxa, como posso resistir a um livro completamente preto?

Confesso que demorei um pouco para lê-lo, porém nos últimos dois dias, simplesmente, não consegui parar de ler o mesmo.

Antes de mais nada, acho importante deixar aqui uma informação que King deixa no final do livro: “As histórias desse livro são chocantes. Você pode ter achado difícil lê-las em alguns momentos. Se foi o caso, posso lhe assegurar que também achei difícil escrever as histórias em alguns momentos”.

Estando avisados pelo próprio escritor, lá vamos nós, o primeiro conto do livro é intitulado como ”1922”. Nele é contado a história de Wilfred, Arlette e Henry James. Uma típica família do Nebrasca. Wilfred possui 80 acres de terras, herdado de seu falecido pai, ele é apaixonado pela vida ali, seu filho Henry é igual a ele. Porém, sua esposa, detesta aquela vida. Após herdar 100 acres de seu falecido pai, ela decide se separar de seu marido e se mudar para cidade grande, longe de tudo aquilo. Wilfred, acredita que os 100 acres que ela ganhou, são dele, por ser o homem da casa, afinal, “mulher não entende de terras”. Vendo que não possui outra saída, ele decide então matar Arlette e jogar seu corpo em um poço da propriedade, com a ajuda do filho, claro.
Sabendo ser uma cidade pequena, e lá as notícias correm rápido, ele informa que Arlette fugiu durante a noite, levou alguns pertences e não sabe nada dela, até diz que Henry está desolado pela fuga de sua mãe. Todos acreditam, inclusive seu vizinho rico que resolve os ajudar nesses tempos difíceis para os dois. Tudo está ocorrendo bem, até que Wilf começa a ficar paranoico e recebe uma visita de alguém que ele acreditou que nunca mais veria.

O segundo conto é intitulado como “Gigante no Volante”. Nele é contado a história da escritora de livros de investigação para velhinhas, Tess. Quando Ramona, dona de uma livraria de outra cidade a chama para cobrir uma outra escritora que não pode comparecer no evento com fãs, ela aceita o convite. Após o evento, Ramona acaba lhe dando uma dica de atalho para Tess seguir, para assim chegar mais rápido em casa. Quando ela começa o trajeto, sente que algo está errado com esse atalho, pois seu gps não está conseguindo calculá-lo. Em uma das estradas que ela tem que entrar, ela percebe que há algo no chão, porém não consegue desviar a tempo e sente seu carro pesar para um lado, quando vai do lado de fora para ver o que houve, percebe que uma das rodas esta furada, pois a estrada está cheia de pedaços de madeira com pregos. Quando ela pega seu celular para pedir ajuda, percebe que o mesmo está sem sinal, ela então fica ali, próxima de seu carro, esperando alguém passar ali, para lhe ajudar. Quando uma picape estaciona perto dela, ela fica completamente satisfeita, porém aquele homem não estava ali para lhe ajudar.

O terceiro conto é intitulado como ”Extensão Justa”. Nele é contado a história de Dave Streeter, um homem casado, com dois filhos e que possui um câncer. Após mais um dia de vômitos que nunca acabam, por conta da quimioterapia, ele decide ir para casa. Porém, ele acaba indo pelo caminho do aeroporto de Derry, Maine. Por lá, ele segue caminho pela estrada que diz “Extensão Justa”. Na mesma estrada, ele encontra um vendedor ambulante, chamado George Odabi. Vendo que não está com pressa, pergunta ao vendedor o que ele está vendendo, ele por sua vez, pergunta o que está havendo com Dave e se ele está bem. Quando ele lhe informa sua situação, Odabi, lhe oferece uma solução. Mas para isso, durantes 15 anos, ele deverá lhe depositar 15% de seu salário anual. Acreditando se tratar de um maluco, Dave lhe da corda, até que Odabi lhe pergunta se há alguém que Dave odeia. Essa pergunta o pegou de surpresa, após muito pensar, diz que odeia seu amigo de infância, Tom que conseguiu tudo de bom na vida, nas costas de Dave e até roubou sua namorada da época de escola. Odabi, comovido pela história, pede para Dave lhe voltar dali uma semana com algo de seu inimigo, durante a semana, ele passa no médico para ver como está o câncer e para sua surpresa, ele literalmente sumiu. Quando completou uma semana, ele voltou ao lugar e encontrou Odabi, assim lhe entregou um objeto de seu inimigo. Após isso, seu câncer sumiu, Dave foi promovido e sua família passou a se dar bem em relação a tudo, enquanto a vida de Tom, só arruinava.

O quarto e último conto é intitulado como “Um Bom Casamento”. Nele é contado a história de Darcy, que vive há 27 anos, com seu marido Bob. Nesse tempo, ela acreditava que conhecia completamente seu marido. Até que durante uma de suas viagens a negócio, ela acaba precisando ir ao porão, para pegar algumas pilhas para o controle remoto que infelizmente tinha acabado de funcionar. Sabendo que o porão é o lugar apenas do marido, ela foi até lá, sem a intenção de bagunça e nem mexer em nada, apenas pegar as pilhas que precisava. Porém, ela acaba tropeçando em uma caixa cheia de revistas que estava no meio do caminho, quando ela tenta empurrar a mesma para debaixo do balcão, nesse momento a caixa bate em algo oco. Com sua grande curiosidade, ela decide ver o que é aquilo e descobre que é uma caixa com três cartões de identidade de três mulheres diferentes, quando ela lê o primeiro nome, o reconhece do jornal. Decide então pesquisar os nomes na internet e descobre que todas elas foram brutalmente assassinadas por um serial killer, chamado Beadie. Para seu terror, as datas dos assassinatos e lugares coincidem com as viagens de seu marido.

Os quatro contos possuem um certo teor altamente brutal e horripilante, que faz o leitor ter um certo calafrio pela brutalidade dos acontecimentos, mas ainda assim, são histórias que o faz não conseguir parar de ler. Acredito que o fato mais assustador de todos esses contos é que eles podem ser realizados por qualquer pessoa, seja um desconhecido ou até mesmo um conhecido. São atrocidades que podem e acontecem na vida real, onde o marido mata a esposa por conta de seu dinheiro, ou até mesmo ao contrário; onde um homem se aproveita de uma mulher sozinha em uma estrada solitária e a estrupa; onde um homem é capaz de dar tudo, apenas para conseguir tudo que seu “amigo” tem; e até mesmo quando seu marido ou esposa, tem um passatempo macabro e horrível, mas você nem desconfia, por estar com ele há mais de 20 anos, acredita que o conhece completamente.

No final do livro, Stephen King comenta sobre seus contos e como os criou:
“O Conto “1922” foi inspirado em um livro de não ficção chamado Wisconsin Death Trip (1973), de Michael Lesy, que mostrava fotografias tiradas na pequena cidade de Black River Falls, Wisconsin. Fiquei impressionado pelo isolamento rural dessas fotografias e pela severidade e pela privação no rosto das pessoas. Eu queria conseguir passar essa sensação com a minha história. ”

“Em 2007, enquanto viajava pela Internacional 84 para uma sessão de autógrafos no Oeste de Massachusetts, passei por uma dessas paradas de estradas para uma típica refeição saudável de Stephen King: um refrigerante e uma barra de chocolate. Quando sai da lanchonete, vi uma mulher com o pneu furado tendo uma conversa ávida com um caminhoneiro estacionado na vaga ao lado. Ele sorriu para ela e saiu da cabine.
– Precisa de ajuda? – Perguntei
– Não, não, eu cuido disso – disse o caminhoneiro.
A moça conseguiu que trocassem seu pneu furado, tenho certeza. E eu consegui minha barra de chocolate e a ideia para uma história que acabou se tornando “Gigante do Volante”

“Em Bangor, onde vivo, tem uma via pública chamada extensão da rua Hammond, perto do aeroporto. Caminho normalmente 5 ou 6 quilômetros por dia, quando estou na cidade, normalmente vou por ali. Há uma área de cascalho ao lado da cerca do aeroporto, na metade da extensão, onde vários vendedores de beira de estrada vêm montando suas barraquinhas ao longo dos anos. Um dia, enquanto eu os observava, a ideia de “Extensão Justa” veio à minha mente. ”

“O último conto veia a minha cabeça depois de ler um artigo sobre Dennis Rader, o infame assassino que amarrava, torturava e assassinava suas vítimas, ele chegou a matar 10 pessoas, em um período de 16 anos. Em muitos casos, ele enviava os documentos das vítimas para os policias. Paula Rader foi casada com esse monstro por 34 anos, e muitas pessoas na área de Wichita, onde Rader cometia seus crimes, se recusavam a acreditar que ela vivia com ele sem saber o que ele fazia. Eu acreditei – e acredito – que foi possível, e escrevi essa história para explorar o que poderia acontecer se a mulher descobrisse o horrível passatempo do marido. Também escrevi para explorar a ideia de que é impossível conhecer alguém completamente, até mesmo aqueles que mais amamos. ”

Para finalizar, vou deixar aqui o que King diz para se despedir de seus leitores em seu livro:
“Tudo bem, acho que já ficamos aqui embaixo na escuridão por muito tempo. Há todo um mundo lá em cima. Pegue minha mão, fiel leitor, e ficarei feliz em leva-lo de volta à luz do sol. Estou feliz em ir para lá. Porque acredito que a maioria das pessoas é essencialmente boa. Sei que eu sou.
É quanto a você que não tenho certeza. ”

Eai, curtiu o tema? Ficou interessando no livro e seus contos? Bom, o livro esta disponível em diversas livrarias do Brasil, seja na versão física ou digital. Quer ver outro livro discutido aqui? Então deixa nos comentários sua dica.